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Com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana, a Canaoeste organizou um Dia de Campo

Publicado em 22/04/2015

Uma vitrine de variedades

Com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana, a Canaoeste organizou um Dia de Campo para apresentar 24 cultivares de cana-de-açúcar a produtores de Igarapava e região.

A divisa dos Estados de São Paulo e Minas Gerais foi o cenário escolhido para a realização do Dia de Campo sobre variedades de cana-de-açúcar, promovido pela Canaoeste com patrocínio da Syngenta e apoio da Copercana. Às margens do Rio Grande, numa área entre três usinas sucroenergéticas, a Fazenda da Mata, em Igarapava-SP, arrendada pelos irmãos João Manoel e Francisco Eduardo Ribeiro Soares, recebeu, no dia 5 de março, cerca de 60 produtores de cana-de-açúcar, que
trocaram informações sobre 24 cultivares plantados em uma área total de pouco mais de um hectare.

A fazenda faz parte de uma área tradicional na produção de cana no Estado de São Paulo. Mais de cem anos atrás, foi montado, ali perto, o terceiro engenho central do interior paulista – os outros dois foram o de Piracicaba-SP e o do Pontal-SP. De acordo com o produtor Luiz Antônio Maciel, associado da Canaoeste e um dos presentes no evento, a cana se adaptou muito bem à região. “Aqui é próximo de usina, de rio, uma faixa de terra privilegiada, muito fértil. Você tem até alguns problemas fitossanitários, mas é questão de manejo. Quando bem manejada, a cana vai”.

O manejo foi, aliás, uma das preocupações da Canaoeste no planejamento do Dia de Campo, que começou a ser pensado em 2013. Naquele ano, foi montado, na própria Fazenda da Mata, um campo de multiplicação de mudas. Segundo Gustavo Nogueira, gestor operacional da Canaoeste, o objetivo foi uniformizar idade, ambiente de produção e procedência do material.

No dia 13 de março do ano passado, os cultivares foram plantados. As variedades, IAC, RB, SP e CTC, desenvolvidas pelos principais institutos de pesquisa em cana-de-açúcar do País, foram cultivadas lado a lado, de forma que os produtores, ao percorrerem apenas um carreador – como uma grande vitrine –, tivessem contato com todas elas. “Temos aqui diversas opções, de acordo com o ambiente de produção, solo, época de safra. Uma gama para facilitar a vida do produtor e auxiliá-lo na escola para o plantio comercial dele”, afirma Nogueira.

Durante o crescimento dos cultivares, por causa da sanidade das mudas, não houve a necessidade de fazer controle aéreo de pragas. E as condições de produção foram as mesmas que já haviam sido adotadas por João Manoel e Francisco. Além de cederem a área para o experimento, eles ajudaram no plantio e forneceram insumos. Agora, poderão desfrutar dos resultados.

“Estávamos em busca de variedades para poder melhorar a nossa produtividade e a dos outros produtores. Com isso, ganhar mercado, produzindo mais e melhor. Com esta parceria, a Canaoeste se propôs a fazer um experimento para analisar quais se sairiam melhor nessa região. Abraçamos a ideia e disponibilizamos os recursos necessários. A expectativa, daqui pra frente, é propagar as melhores e passá-las aos produtores”, conta Francisco.

Os irmãos produzem cana em 950 hectares na região. A Fazenda da Mata é uma das sete propriedades sob responsabilidade deles, das quais uma é própria e seis são arrendadas. Rodeada pelas usinas Junqueira, comandada pela Raízen; Buriti, do Grupo Pedra Agroindustrial; e uma das unidades da Delta Sucroenergia, integra um total de 750 unidades produtoras na área de cobertura do Sindicato Rural de Ituverava-SP - que se estende de Igarapava a São Joaquim da Barra-SP e de Pedregulho a Miguelópolis-SP.

O sindicato, que tem 120 produtores de cana associados, de um total de 250 proprietários da região atendida, é um forte parceiro da Canaoeste. O presidente, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia, explica que, a exemplo de João Manoel e Francisco, muitos são arrendatários. Na visão dele, o Dia de Campo é importante porque promove uma integração entre os diversos elos da cadeia produtiva da cana. “Gera informação in loco. Você levanta o que realmente está se adaptando melhor, já que na região existe um núcleo grande de solos mais ou menos parecidos. Então, esses experimentos que a Canaoeste tem proporcionado trazem informações para investimentos futuros”.

Ele acredita, ainda, que a troca de experiência contribui para o enfrentamento da crise que afeta o setor sucroenergético. “A única forma de passar pela crise é não parar de buscar pesquisa e investir, porque, dessa maneira, você vai conseguir sair na frente. É ir investindo e tentando, toda a cadeia do agronegócio, se juntar para vencer mais essa dificuldade que o Brasil está enfrentando”.

Duas tendas foram montadas na Fazenda da Mata para o Dia de Campo. Uma da Syngenta e outra da Canaoeste e da Copercana. Os produtores começaram a chegar às 9 h, quando foram recepcionados com um café da manhã. A abertura do evento foi feita por Gustavo Nogueira e por João Francisco Maciel, agrônomo da filial da Canaoeste em Ituverava. Eles agradeceram aos parceiros e destacaram, também, a participação de estudantes da Fafram – Faculdade Dr. Francisco Maeda, mantida pela Fundação Educacional de Ituverava –, que colaborou com o evento. Os agrônomos André Bosch e Daniela Aragão Santa Rosa, respectivamente das filiais da Canaoeste em Bebedouro-SP e Pontal, ajudaram na organização. Os participantes receberam um manual de variedades editado pela Canaoeste e uma tabela para que pudessem identificar e acompanhar as características de cada um dos 24 cultivares expostos. Após ouvirem as explicações sobre os 12 primeiros, pararam para um descanso, retomando o percurso logo em seguida, para a segunda metade das atividades, encerrada por volta do meio-dia.

O produtor Rodrigo Moraes gostou do que viu. “Muito importante. Aqui na região, a gente sentia falta desse apoio da Canaoeste. Agora, ela vindo pra vá, trazendo essas variedades, podemos aumentar a produtividade. É isso que a gente precisa, ainda mais se considerar que a variedade de cana é complicada. Você não consegue uma atualização todo ano. A que você planta vai ficar no campo por pelo menos cinco anos. Então, isso tem que ser bem trabalhado”.

A região de Ituverava, que contempla Igarapava, é uma área nova de atuação da Canaoeste. A presença da associação nestas localidades está para completar quatro anos. Um dos desafios é reduzir a escassez de variedades de cana-de-açúcar disponíveis aos agricultores. “É um momento em que o fornecedor de cana precisa realmente, já que o cenário de variedades hoje é fraco, principalmente aqui na nossa região. Esse é um grande evento, importantíssimo”, declara Neder Requi, líder de fornecedores de cana da Raízen. “Falamos de uma cultura de ciclo longo, que é a cana. Então, se o produtor errar na escolha da variedade, ele sabe que vai ter que conviver com um problema durante os próximos cinco anos. Por isso, é fundamental que ele
coloque, no momento certo, a variedade certa para determinada área”.

Para Renato Fidélix, gestor de parcerias e de fornecedores da Usina Buriti, a participação de representantes de unidades industriais no evento agrega conhecimento e amplia o contato com os produtores. “A Buriti tem cerca de 30% da cana que é de fornecedores, e prestamos toda a assistência a eles, como colheita 100%
mecanizada. Buscamos, ainda, sempre estar atentos às novidades do mercado e indicar as melhores variedades”.

Os participantes receberam um manual de variedades editado pela Canaoeste e uma tabela para que pudessem identificar e acompanhar as características de cada um dos 24 cultivares expostos. Após ouvirem as explicações sobre os 12 primeiros, pararam para um descanso, retomando o percurso logo em seguida, para a segunda metade das atividades, encerrada por volta do meio-dia.

Tecnologias à mostra

Nas últimas duas décadas, os principais institutos de pesquisa em melhoramento genético do Brasil lançaram cerca de 120 novos cultivares de cana-de-açúcar. Alguns ainda estão em fase de testes. Outros, porém, caíram em desuso, por causa de problemas fitossanitários, como facilidade para atrair pragas. Isso faz com que a cana,
mesmo sendo cultivada no Brasil desde o início da colonização portuguesa, na primeira metade do século XVI, esteja um passo atrás de outras culturas, como soja e milho, no número de variedades disponíveis aos agricultores.

Por isso, o agrônomo da Canaoeste em Ituverava, João Francisco Maciel, alerta para a importância de os produtores se atualizarem sobre as tecnologias mais recentes, o que permitirá a eles aumentar seu leque de opções e o poder de escolha. “Decidimos fazer
o Dia de Campo nessa época porque a cana já está num porte adequado e, também, por ser época de plantio. Assim, podemos atender bem aos associados na escolha das variedades, para que eles conheçam as melhores opções disponíveis”.

O produtor Luiz Antônio Maciel concorda. Ele lembra que, mesmo após o término do evento, será possível visitar a Fazenda da Mata e continuar acompanhando o desenvolvimento de cada variedade. “O cara tem que ver, tem que sentir e adaptar a variedade ao seu local de produção. Doença, praga, crescimento vegetativo, tudo começa na variedade. Esse Dia de Campo foi Luiz Antônio Maciel Tecnologias à mostra
muito válido porque trouxe um rol de variedades, algumas já conhecidas, outras não, dando a oportunidade de ver, de estar perto. Não vai funcionar só hoje. O cara vai vir visitar, olhar uma, olhar outra, e vai adaptando, até encontrar a melhor para ele”.

Na opinião do engenheiro agrônomo de vendas/cana da Syngenta, Caê Alonso Ramos, a carência de variedades e de mudas sadias de cana ocorreu por causa de plantios extensos, nas épocas de grande expansão canavieira. “Isso levou a um plantio, muitas vezes, sem o devido cuidado com a muda. Se aquela muda tinha alguma doença ou praga já instalada, ela se multiplicou”. Segundo ele, para melhorar a sanidade, o setor sucroenergético parece ter despertado para a necessidade de investimento em pesquisa, que apontam para o desenvolvimento de novas tecnologias. “Tanto as multinacionais, como a Syngenta, como os institutos de pesquisa e extensão e associações, entre elas a Canaoeste, estão enxergando que não é só uma vontade do setor melhorar, mas uma necessidade para permitir melhor retorno ao produtor e às usinas”.

Grande parte dos 24 cultivares plantados pela Canaoeste para o Dia de Campo é oferecida pela Syngenta por meio do Plene, tecnologia que consiste na oferta de mudas de extrema qualidade, controle fitossanitário e pureza varietal. “Essas variedades que trazemos no Plene, que tem todo esse controle, é para que se possa aproveitar o potencial produtivo da cana sem os fatores detratores, principalmente
pragas e doenças. E esse evento é uma oportunidade excelente de estarmos mais próximos, conversar direto com o produtor sobre as novas tecnologias e o que ele pode conseguir de melhor”.

O experimento em Igarapava foi o primeiro montado pela Canaoeste no Estado de São Paulo. Um ensaio no mesmo formato havia sido feito anteriormente em Frutal-MG, onde os resultados motivaram a implantação em outras áreas. “A escolha da variedade certa é um ponto crucial para determinar a produção. Se tivermos uma produtividade boa, alta, com a escolha de um material que seja pertinente às condições ambientais, isso colabora para o sucesso do produtor”, conclui o gestor operacional da Canaoeste, Gustavo Nogueira.

Fonte: Revista Canavieiros

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