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INDÚSTRIA JÁ VÊ NOVA ERA DA BIOECONOMIA

Publicado em 15/03/2018

A criação da primeira política no Brasil que remunera a redução das emissões de gases de efeito estufa, voltada para o segmento de transportes e batizada de RenovaBio, é encarada por grupos da indústria como um abre-alas para novas políticas que cimentem o avanço da "bioeconomia" no país. O crescimento desse "segmento" tem potencial para gerar investimentos de centenas de bilhões der reais e mudar o status de culturas agrícolas do país, na avaliação da Associação Brasileira Biotecnologia Industrial (ABBI), que reúne companhias cujos processos envolvem produtos biológicos.

O termo "bioeconomia" não é novo, mas ainda vinha se mantendo à margem das políticas públicas. Recentemente, o assunto voltou à pauta, à medida que alguns países passaram a anunciar metas para reduzir o uso de combustíveis fósseis ou acabar com motores à combustão.

Os defensores da bioeconomia se apresentam como substitutos das fontes fósseis na indústria, por utilizarem processos e insumos de origem biológica e com alta tecnologia agregada. Os exemplos vão desde etanol celulósico no Brasil até sabão para roupas feito a partir de plantas.

Mas, para que a transição para uma bioeconomia no Brasil se concretize, é preciso um amplo arsenal de políticas públicas, que podem tomar o RenovaBio como ponto de partida, como afirma Bernardo Silva, presidente ABBI. "Precisamos de uma precificação do carbono para toda economia. Sem isso, a gente não consegue ser competitivo no curto, médio e longo prazos", diz.

A empolgação com o RenovaBio - cujo decreto de regulamentação está prestes a ser anunciado pelo presidente Michel Temer - não significa que a indústria não tenha cautela. Para Silva, o atual momento de definição das metas de redução de emissões para as distribuidoras é essencial para determinar o grau de incentivo aos renováveis, já que a remuneração precisa compensar os custos com o investimento em inovação.

E, mesmo quando o RenovaBio já estiver formatado, a indústria avalia que será preciso uma janela de um ou dois anos para que se possa "ampliá-lo para bioquímicos", afirma Emerson Vasconcelos, presidente regional para a América Latina da Novozymes e atual presidente do conselho da ABBI. "Mas seria uma adaptação relativamente rápida para outros setores da economia", acrescenta.

De acordo com o previsto no RenovaBio, os produtores de biocombustíveis venderão certificados de biocombustíveis (CBios) no mercado para que as distribuidoras cumpram suas metas de emissões. Os papéis poderão ser vendidos também por produtores de biodiesel, bioquerosene de aviação, biogás e biometano.

Aplicar inicialmente uma política de precificação do carbono para biocombustíveis seria, dessa forma, também um primeiro fomento para o setor privado construir "biorrefinarias" - indústrias que podem utilizar uma ampla gama de biomassas para produzir biocombustível e outros "bioprodutos", como aromas, fertilizantes, bioquímicos etc. Atualmente, só há uma biorrefinaria desse tipo no Brasil, em Brotas (SP), recentemente comprada pela DSM da Amirys.

A ABBI calcula que há potencial no país para erguer 120 biorrefinarias, integrando produção de etanol de primeira e segunda geração e de bioquímicos, nas próximas duas décadas, o que demandaria investimentos de US$ 400 bilhões - com capacidade para agregar US$ 160 bilhões ao PIB do país, considerando também os efeitos sobre a cadeia.

Um movimento dessa magnitude teria capacidade de alterar o "tabuleiro agrícola" do país, aumentando a área das culturas direcionadas para os bioprodutos, observa Vasconcelos. Atualmente, porém, ainda há biomassa nos solos para ser aproveitada e que ainda é descartada. Estima-se que, só com a palha de cana não utilizada, poderiam ser produzidos 13 bilhões de litros de etanol ao ano, metade da produção atual.

Entretanto, tal expansão depende ainda de outros incentivos governamentais além de um novo RenovaBio, como a criação de um mercado para os produtos da "bioeconomia" (como compras governamentais), redução do custo de investimento para inovação, prazos mais longos para amortizar financiamentos de tecnologias recentes e a criação de uma estratégia específica para "bioeconomia".

Camila Souza Ramos

Fonte: Valor Econômico - retirado do site CanaOnline 

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