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CNA afirma que 2018 deve ter safra recorde de grãos
215 milhões de toneladas é a previsão da safra de 2018

Publicado em 08/01/2018

A safra brasileira de grãos poderá alcançar o recorde de 215 milhões de toneladas em 2018. Apoiada no desempenho positivo do agronegócio e do consumo das famílias, a perspectiva para o próximo ano é de que a economia brasileira consiga superar a recessão, de acordo com o balanço do agronegócio em 2017, e as perspectivas do setor para 2018, apresentado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).
Dados da CNA indicam que a agricultura e o agronegócio contribuíram com 23,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do país este ano, sendo responsáveis pela maior participação em mais de uma década. O crescimento projetado para o agronegócio como um todo, que reúne a cadeia produtiva de insumos, indústria e serviços, é de 0,5% a 1% no próximo ano.
O setor, segundo a confederação, foi o principal responsável pela queda da inflação porque “os recordes produzidos no campo se refletiram em alimentos mais baratos para a população brasileira”. Capitaneado pelo agro, a previsão da entidade para o Índice de Preços ao Consumidor (IPCA) em 2017 é de 3,03%.
Maior patamar
Se esse número for confirmado, será o menor patamar registrado desde 1998. Estudo da entidade mostra que a alimentação em domicílio teve queda de 4,56% nos preços no período de janeiro a outubro de 2017.
A criação de vagas na agropecuária foi a mais alta do país nos últimos cinco anos. O saldo líquido de empregos gerados no campo foi bastante positivo. De janeiro a outubro, as contratações no campo superaram as demissões em 93,6 mil vagas, 84% a mais do que o mesmo período de 2016.
A agropecuária e a agricultura foram os únicos segmentos a aumentar os postos de trabalho, contabilizando um saldo de 19,2 mil vagas, no acumulado de 12 meses.
Clima
O presidente da CNA, João Martins, ressaltou que 2017 foi um ano excepcional, marcado pela safra recorde de grãos e fibras. As boas condições climáticas e a disposição dos agricultores de investir em suas produções e realizar melhorias ajudaram o setor. “Os produtores entenderam que deviam jogar mais tecnologia na terra e ter mais abertura de frente de plantio”, declarou.
O agronegócio deverá continuar desempenhando papel primordial com relação à expansão da economia. Culturas como a soja, o milho, o algodão, o arroz e o feijão deverão recuperar produção e área plantada. “Teremos queda de volume, mas em função de 2017, que foi muito bom”, disse Martins.
O agronegócio corresponde a cerca de 20% do PIB do país e representa 40% do total de todas as exportações do Brasil. O setor é também responsável por parte considerável do superávit da balança comercial, que totalizou US$ 36,219 bilhões nos primeiros seis meses de 2017.
Mercado externo
Com relação ao mercado externo, o complexo soja foi destaque, com participação de 29% nos embarques. China, União Europeia e Estados Unidos continuam como os principais parceiros comerciais do Brasil, mas outros mercados têm se destacado, como o Irã.
“O agronegócio aumentou a participação nas exportações brasileiras de 46%, em 2015, para 48% neste ano. Com exceção de 2014, o setor foi o principal responsável por manter o superávit da balança comercial desde 2006”, explicou a superintendente de Relações Internacionais da CNA, Lígia Dutra.

Sindicato Rural

Segundo o presidente do Sindicato Rural de Ituverava, Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia, a contribuição da agropecuária para a economia nacional é indiscutível. “Ela garante alimento barato na mesa do brasileiro, inflação controlada, saldo positivo na balança comercial, empregos e ganhos econômicos em diversos setores. No entanto, é preciso uma legislação melhor, garantindo segurança no direito de propriedade, segurança ambiental, segurança em legislação tributária e segurança contra invasões nas propriedades”, observa.
“Dito isso e diante dos números da safra 2018, peço a reflexão da sociedade em entender a real contribuição do Agro, visando não só a valorização do produtor rural, mas principalmente, a percepção de que produzir alimentos e energia renovável é a grande ‘vocação’ do Brasil”, completa Gustavo Ribeiro Rocha Chavaglia.

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